Freguesia de Giões

A identificação de uma anta, já destruída, atesta a antiguidade da ocupação humana nesta freguesia. Mais tarde, a riqueza metalúrgica atraiu e fixou grupos humanos. Alguns objetos, restos de habitat e sepulturas identificadas pelos arqueólogos, revelam a continuidade desde o Calcolítico até à exploração industrial. Várias décadas de investigação arqueológica têm trazido à luz do dia testemunhos da ocupação desses períodos. Recentemente escavou-se uma necrópole junto da aldeia de Giões, num serro com o topónimo de Cabeço da Vaca, tendo-se identificado seis sepulturas com tipologia diversificada. Apenas uma possuía material - o conjunto de duas lanças de ferro depositadas junto à cabeceira, do lado direito, indica a deposição de um guerreiro neste local.

 

A cerca de 200 metros, no topo de uma elevação fronteira, foi identificada uma outra sepultura retangular constituída por grandes lajes de grauvaque e de xisto, colocadas verticalmente. No fundo, conservava uma adaga de ferro, com o punho revestido a prata. Pela posição, tratava-se de arma colocada obliquamente sobre o peito do guerreiro ali enterrado.

 

No conjunto, tratam-se de dois importantes testemunhos da Idade do Ferro na serra algarvia, situáveis provisoriamente cerca do século V a.C.

 

Durante a ocupação visigótica construiu-se em Clarines um templo de que apenas restam alguns elementos arquitetónicos, parte deles integrados na atual capela.

 

Do Período Islâmico há a assinalar o Castelo das Relíquias. Implantado sobre a Ribeira do Vascão, este “hisn” (fortaleza rural) dominaria um “alfoz” (território) rico em minério com várias alcarias (aldeias) que explorariam sobretudo o cobre. Do seu espaço construído (que incluía muralhas, habitações, uma cisterna, etc.) ainda pouco é visível, pois a investigação arqueológica encontra-se em curso. Do estudo realizado, sabe-se que seria um povoado fortificado do mesmo tipo e cronologia (séc.IX/XI) do Castelo Velho em Alcoutim.

 

As referências documentais mais antigas, relativas à aldeia propriamente dita, remontam ao século XVI, época em que viveu um período de grande prosperidade. Em 1554 tinha quarenta fogos e duzentos e vinte moradores. Nos finais do século XIX atravessou alguns anos de recessão populacional, que se acentuou a partir dos meados deste século.

 

Giões mantém-se hoje como o quarto centro populacional do concelho.